quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A IGREJA DE DUAS ASAS!

A
história nos mostra que quando Jesus fundou a Igreja através dos Doze, ela tinha dinâmica familiar, mas também tinha a dinâmica comunitária. Em Atos 2:42-47, diz que eles estavam juntos nas casas e no Templo. Atos 5:42 diz que “...todos os dias, no Templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo...”. Atos 20:20 fala que o Evangelho era anunciado publicamente e de casa em casa. É clara a evidência de que a Igreja foi fundada sobre a base de comunidade e corporativismo; com reuniões nos lares e reuniões coletivas. Vemos aqui uma igreja de “duas asas”!
                Até o século IV, por volta do ano 313 d.C., a Igreja vinha crescendo de maneira bíblica e equilibrada, havia um sentimento forte e perseverante da Igreja em permanecer na doutrina dos apóstolos primitivos, mesmo em face das heresias que bombardeavam o cristianismo de todos os lados. Paralelamente a isso os cristãos sofriam a sua pior perseguição desde seu nascimento empreendida pelo Império Romano, mas mesmo assim os cristãos não paravam de multiplicar e foi através desta visão de grupos pequenos e coletivos que o Evangelho foi espalhado pelo mundo afora, impactando aquela época.
                Porém, quando o Imperador Constantino subiu ao poder, ele promulgou um edito de tolerância proibindo toda e qualquer perseguição aos cristãos dentro do Império Romano, embora a preocupação dele fosse apenas política e não religiosa. Mais tarde, no ano de 395 d.C, o Imperador Teodósio instituiu o cristianismo como a religião oficial do Império. A Igreja foi ganhando espaço e havia muitos interesses políticos que a rondavam. Muitas propriedades foram doadas à Igreja e aos poucos seus templos foram sendo construídos e a coletividade da mesma crescendo. Com isto, a Igreja perdeu a visão da Igreja de duas asas. A “asa do grupo pequeno” se tornou cada vez mais fraca, por falta de exercício, até atrofiar e tornar-se um apêndice sem vida e sem utilidade, ao lado da asa exagerada do grupo grande. A Igreja de duas asas que havia planado nas maiores alturas tornou-se agora uma Igreja de uma asa, as reuniões simples nas casas que geravam comunhão e pastoreamento, deu lugar aos templos suntuosos e a multidões de um líder só
                Os cultos nas catedrais passaram a ser a tônica do Cristianismo, se transformando em grande força político-social, mas perdendo seu contexto espiritual. Do século IV ao século XX, a Igreja esteve firmada sobre o sistema corporativista, na base de “clero e leigos”, tornando-se então a Igreja de uma asa só. É claro que houve alguns remanescentes da Igreja de duas asas, mas tão poucos que não se fizeram muita diferença. Com isto, a Igreja do Senhor Jesus viveu uma realidade escura e agora, no século XX, ressurgiu a realidade de comunidade, a outra asa da Igreja, mas muitos grupos e denominações têm abandonado de maneira radical a asa do corporativismo, voltando, assim, somente à prática da Igreja nos lares, em comunidade, e, às vezes, até pregando que a base do corporativismo não é algo de Deus. Isso é um equívoco! 
                A verdade é que no período “escuro” da Igreja houve um desequilíbrio para o lado do corporativismo, mas agora, em muitas realidades têm havido um desequilíbrio para o outro lado, o lado de comunidade. O que Deus deseja é o equilíbrio das duas asas.
                Diante da compreensão das Escrituras creio que Deus deseja que sejamos uma “igreja de duas asas”. Uma igreja que leva a multidão a “celebrar” e que se reúne em grupos pequenos para “integrar e multiplicar”. A qualidade um encontro caseiro, onde vários grupos se reúnem diante de um propósito e debaixo de uma supervisão, produzirá naturalmente celebrações mais genuínas e integradas ao propósito da Grande Comissão (Mt.28.18-20).
                Estas “duas asas” da igreja geram adoração, comunhão, evangelismo e liderança. Diante de um mundo tão corrido precisamos remir o tempo e trabalhar com inteligência e foco. Nossa visão neste novo ano é fortalecer nossas celebrações dominicais e incentivar as pessoas a valorizarem relacionamentos através dos grupos pequenos.
                Creio que assim como Jesus tinha um ministério público (multidão) e particular (O grupo dos Doze), da mesma forma a igreja deve se comportar, valorizando suas celebrações dominicais e os encontros para relacionamento durante a semana. Portanto reflita:
a)     A igreja em celebração – são nossos ajuntamentos com toda a igreja local no domingo. Neste espaço o desafio é levar a comunidade reunida a amar ao Senhor de todo coração, intelecto, forças e ser... uma igreja que ama a Jesus e o prioriza como Senhor.
b)     A igreja em grupos – “são as mãos e as pernas” do Corpo de Cristo, onde os crentes estrategicamente distribuídos em grupos caseiros compartilham a Palavra informalmente, oram, cantam, evangelizam e são treinados para a multiplicação. A ideia neste ajuntamento e levar as pessoas a amarem ao próximo, priorizando relacionamentos.
c)     A igreja em ação por meio de dons ou ministérios – A celebração dominical e do grupo caseiro semanal levará a igreja a exercer a mutualidade, os mandamentos recíprocos como também o exercício dos dons e ministérios. O fazer não será mais um mero ativismo confinado a 15% de pessoas da igreja, mas a igreja toda. Aleluia! Uma igreja com uma celebração teocêntrica e uma vida comunitária mais participativa, não presa a meros programas, mas a relacionamentos... Uma igreja mais comunitária e menos clerical.

Minha oração é que a igreja seja corajosa, bíblica e vibre com aquilo que Deus vibra. Que Deus assim nos abençoe nesta empreitada.  

 Rev. Gilberto Pires de Moraes